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ATO #PareBeloMonte

Na última quarta-feira, os encontristas presentes no #Enecom2011 participaram do Ato contra a construção da UHE de Belo Monte. Em parceria com a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), a Enecos  reuniu cerca de 1.000 pessoas em uma das Avenidas mais movimentadas de Belém, a Av. Nazaré.
O ato saiu do Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN) e seguiu até a praça da República com palavras de ordem, distribuição de panfletos e intervenções em frente à TV Liberal (afiliada da rede Globo) e da Federação dos Agricultores do Estado do Pará, a FAEPA.

Veja um dos vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=LwyHBZGeLhc


Qual o papo da grande mídia sobre Belo Monte? Um pouco do assunto com o jornalista Thiago Barros


Além de participar do 3º Pré-Enecom, no último sábado, o jornalista Thiago Barros, que também é professor de Comunicação na Universidade da Amazônia (Unama), concedeu uma entrevista por email à Comissão de Comunicação do Enecom.

Thiago terminou recentemente a tese de mestrado “Sentidos da matriz energética brasileira na mídia. Hidrelétricas na Amazônia de FHC a Lula (2001 a 2009)”, pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Confira abaixo a entrevista.

Qual o objeto de pesquisa da tua tese de mestrado?

Como a discussão sobre as políticas públicas do setor energético para a Amazônia são apresentadas pela grande mídia impressa do Sudeste: Globo, Folha de S. Paulo e Estadão.

O que se pode concluir em relação ao discurso midiático sobre a construção da UHE de Belo Monte?
É difícil identificar um discurso único da mídia sobre Belo Monte. No entanto, o conteúdo dos jornais reforça que a mídia é usada como ferramenta de grupos de pressão para influenciar a opinião pública. No período que analisei grupos contrários à construção da usina, por exemplo, têm poucas ocorrências no noticiário.
 
Qual papel exercido pelas mídias nacional e local na negociação e embate em relação a Belo Monte?
 
O que as mídias local e nacional deveriam fazer é promover um debate crítico sobre as construções de hidrelétricas, sobre o atual modelo de desenvolvimento vigente no País, que não contempla como deveria as outras dimensões além da econômica. Desenvolvimento também envolve cidadania e sustentabilidade, por exemplo. Se falarmos em "negociação", a mídia atua como elemento que dá visibilidade a argumentos, mas tende a "silenciar" quem não segue as regras do poder econômico.
 
A partir do estudo, qual o grande nó na construção da usina? O impacto ambiental, os direitos dos habitantes das áreas a serem alagadas ou as transformações pelas quais a região passará no decorrer e após a implantação da hidrelétrica?

Todas as variáveis são importantes nesta questão, mas Belo Monte é inviável financeiramente. Os benefícios da construção da usina para todo o Brasil não justificam a construção de tal obra. O governo poderia resolver o problema do fornecimento de energia com outras soluções, mas segue a lógica do mercado.

Existem alternativas viáveis economicamente para substituir a construção da hidrelétrica?

Reparar problemas nas usinas mais antigas e nas linhas de transmissão, que causam perdas na energia produzida; garantir que usinas como Tucuruí produzam em força máxima, com mais turbinas; utilização de fontes alternativas de energia, como a biomassa e a energia eólica; construção de pequenas centrais hidrelétricas; etc. O problema é que estas saídas alternativas requerem mais dinheiro e diminuem a margem de lucro das empresas interessadas nessas construções.

No período pesquisado (2001/2002 e 2008/2009) o discurso midiático passou por quais transformações? Eles estavam direcionados à legitimação ou à crítica da implantação da UHE?

É preciso discernir discurso da mídia (com interferência dos meios) e discurso tornado público utilizando a mídia. Foquei no segundo ponto. Parto do princípio de que os meios de comunicação são ligados a diversos grupos de pressão, como as grandes empreiteiras, e reproduzem os discursos deles. É evidente nos dois períodos como as grandes empresas pressionam o governo utilizando a visibilidade oferecida pela mídia. A questão é: por que a mídia não dá voz a todos os grupos envolvidos na questão?

Belo Monte e a Criminalização dos Movimentos Sociais

Xingu contra Belo Monte by Greenpeace Brasil
No Pará, um dos Estados mais ricos do Brasil, devido principalmente as riquezas naturais existentes em seu subsolo e sua vasta biodiversidade, 54% da população vive com média de renda inferior a um salário mínimo. Somos o retrato do paradoxo da atual política de desenvolvimento, em que a geração de recursos minerais e energéticos não traz compensações sociais e ambientais.

Os impactos socioambientais motivam discussões em torno do principal, e talvez, o mais polêmico empreendimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

A expansão do setor energético e os impactos sócio-ambientais e econômicos provenientes da instalação de barragens nos cursos de rios com potencial hidrelétrico fazem com que trabalhadores, pescadores, populações indígenas e moradores locais, prejudicados diretamente por esses impactos, se indignem diante da promessa enganosa de desenvolvimento para região e do anúncio da construção de mais barragens.
Surge então a necessidade de se organizarem para reivindicar seus direitos. Assim se constitui o Xingu Vivo Para Sempre e o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), que denuncia, entre outras injustiças, as expropriações das populações locais, o desprezo das instituições diante das destruições constatadas e o alto preço da energia para a população.

A mídia hegemônica busca criminalizar os movimentos sociais relacionando as condutas de protestos de trabalhadores com ações criminosas de grupos organizados que ameaçam a ordem pública. Para quê reprimir com violência física, se a produção de consenso é mais eficaz para a manutenção das relações de poder?

Não há revolta sem motivo e por isso, faz-se necessário entender que interesses há  por trás das ações que desvalorizam os protestos e as organizações de setores que representam os interesses da sociedade. Saber o que motiva a afirmação de que lutar por direitos em nossa sociedade seja “crime”.

Estudantes debatem Belo Monte durante 3º Pré-Enecom


Cerca de 40 estudantes de Comunicação Social de Belém ficaram mais próximos do que representa a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, na terceira edição do Pré-Enecom, durante a tarde deste sábado (2). O debate, que foi realizado no IEEP, contextualizou a construção da hidrelétrica, tanto política quanto economicamente, além de mostrar como a implantação da usina é representada na mídia nacional.

A UHE de Belo Monte é “uma garantia de energia para o Sul do Brasil, não para o Pará”, disparou o economista Eduardo Costa, um dos palestrantes presentes no Pré-Enecom. “Os grandes jornais do Brasil não dão espaço para o debate, porque esses veículos são tentáculos de empresas que lucrarão com a usina”, afirmou o jornalista Thiago Barros. Os dois convidados palestraram durante quase uma hora e depois responderam indagações dos estudantes de Publicidade e Propaganda e Jornalismo de diversas universidades e faculdades de capital.

O professor de Economia Eduardo Costa, que também é presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-Pará), fez um breve histórico da implantação da usina, lembrando ainda dos impactos negativos de sua implantação, com conseqüências sociais como favelização, prostituição e pobreza na região do rio Xingu. “O que vemos é que a obra é só uma garantia de energia para o Sul, não para o Estado, além de servir para a verticalização da produção da Vale”, explicou o economista, contestando a visão que o governo tem sobre a região. “O governo olha para a Amazônia ainda como uma eterna fornecedora de matéria-prima para o restante do país. Qual o papel o governo está relegando à Amazônia?”.

Trazendo o debate para a representação midiática, o jornalista Thiago Barros, que também é professor de Comunicação na Universidade da Amazônia (Unama), apresentou dados de sua tese de mestrado. A pesquisa do jornalista analisou 1.565 reportagens sobre Belo Monte nos maiores jornais impressos do Brasil: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e O Globo. A conclusão foi de que quem é contra a usina não tem voz na imprensa. “Cerca de 80% das ocorrências de falas nesses jornais são de empresas que vão lucrar com a usina, como o consórcio Camargo e Corrêa e a Vale, enquanto grupos contrários como o Xingu Vivo Para Sempre somam menos de 5%”, revelou o jornalista. “Por que o debate acontece na sociedade, mas não acontece na mídia? Esses jornais são tentáculos dos grandes grupos com interesses na construção da hidrelétrica”.

Depois de quase uma hora de explanação, os convidados responderam as perguntas dos presentes, debatendo desdobramentos do assunto. O evento foi uma prévia de temas a serem debatidos no Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecom), que tem como tema “Comunicação e Movimentos Sociais”.

Para se inscrever no Enecom, é necessário ter participado de pelo menos um pré-encontro. A quarta e última edição do evento será na semana que vem, e terá como tema “Comunicação e Cineclubismo”. No decorrer da semana, o local e a hora do último pré-Enecom serão publicados. O Enecom, que ocorrerá entre os dias 22 e 29 de julho, é promovido pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos).



Texto: Comissão de Comunicação
Fotos: Daísa Passos

Nota do Movimento Xingu Vivo - Comitê Metropolitano - sobre a licença de instalação da UHE Belo Monte


Há muito já se sabe que a Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte não tem viabilidade econômica, social, ambiental, cultural e mesmo política. Mais uma prova disso foi a carta enviada à presidente Dilma Rousseff no dia 19 de maio/2011, assinada por 20 das mais importantes associações cientificas brasileiras, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que após se debruçarem por um longo tempo sobre os estudos até aqui realizados, manifestaram preocupação e pediram a suspensão do processo de licenciamento da UHE Belo Monte.

Há muito também já se sabe que a UHE Belo Monte infringe frontalmente a constituição e a legislação ambiental do Brasil. É por isso que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nacional e seção Pará, e o Ministério Público Federal (MPF) estão pedindo que sejam suspensas as operações de Belo Monte enquanto as condicionantes não forem realmente cumpridas. Nesse sentido, no dia 11 de maio/2011 o MPF emitiu uma recomendação ao presidente do IBAMA, pedindo que este se abstenha de emitir a Licença de Instalação da UHE Belo Monte, enquanto as questões relativas às condicionantes da Licença Prévia 342/2010 não forem definitivamente resolvidas.

Nem mesmo o consórcio Norte Energia S.A. (NESA), montado pelo Governo Federal as vésperas do leilão, apresenta consistência. Esta semana foi amplamente divulgado que as empresas Galvão Engenharia, Serveng e Cetenco já fizeram pedido formal de desligamento do consórcio, a Contern fará o pedido nos próximos dias, e a J. Malucelli e Mendes Junior estão apenas a procura de alguém que compre os seus percentuais no negócio, seguindo os mesmos passos da Gaia Energia, que já vendeu a sua parte para a VALE. Antes mesmo de iniciar suas atividades a NESA já está caindo de podre.

A UHE Belo Monte é hoje uma bandeira política do Governo Federal, só isso explica a obsessão por esta obra, que vai repassar no mínimo 30 bilhões de reais para as empreiteiras, setor que, coincidentemente, ficou em 1º lugar no repasse de verbas para a campanha da presidente Dilma Rousseff.

Mostrando maios uma vez força e determinação, reuniram-se entre os dias 20 e 23 de maio/2011, na Aldeia Piaraçu, mais de 200 lideranças, representando 12 etnias, índios Kayapó, Juruna, Kaiabi, Xavante, Cinta larga, entre outros, além de lideranças dos movimentos sociais, que reafirmaram em alto e bom tom “NÃO À CONSTRUÇÃO DE BELO MONTE”. Reiterando a intenção de todos e todas em lutar até o ultimo suspiro contra esta usina.

É por tudo isso que repudiamos a emissão da Licença de Instalação ilegal de Belo Monte. Exigimos que esse projeto seja definitivamente encerrado. Alertamos ao governo da presidente Dilma Rousseff que ele será o único responsável pelas conseqüências que decorrerão de sua insistência nesse projeto. Conseqüências que poderão ser expressas, literalmente, em dor, lagrimas e sangue.

Pedimos o apoio de todos os brasileiros e brasileiras. Conclamamos as pessoas do mundo todo para que possamos estar juntos nesta decisiva batalha para barrar os mais pesados ataques que o capital já desferiu, até hoje, contra a floresta, os rios, os povos e a vida na Amazônia, no Brasil, e no Planeta Terra.

Somos fortes.

Estejam conosco, estamos com vocês.

A FLORESTA E A VIDA NOS CHAMAM!

TODOS E TODAS EM SUA DEFESA !