Mostrando postagens com marcador movimentos sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador movimentos sociais. Mostrar todas as postagens

Espaço Urbano, Movimentos Sociais e a Luta pela Moradia


A cidade proporciona um cenário em que as lutas sociais são significativas, pois além de um local de trabalho e moradia, é o palco em que as desigualdades sociais geram muitos conflitos. Ela representa um conjunto de diferentes formas de uso da terra. Temos locais para a realização de atividades comerciais, serviços e gestão, áreas industriais, residenciais e de lazer, o que constitui sua organização espacial.

A cidade é, também, um produto social e expressa a disparidade que é inerente ao modo de produção capitalista, facilmente percebida nas áreas residenciais segregadas e na relação estabelecida entre os seus distintos atores. Ela é, ainda, o lugar do cotidiano no qual convivem crenças, valores e mitos; demonstrando uma dimensão simbólica, assim como um campo de lutas com valores e interesses diferentes.

Nas cidades encontramos territórios diferenciados, demarcados por cercas imaginárias e reais, que desejam definir o lugar de cada cidadão e de cada grupo, a partir de um movimento de separação, que atribui uma função social a cada localidade: o que denominamos de segregação. Tenta-se separar para esconder o conflito, porque quanto mais visível é a diferença, mais acirrado é o confronto. Então são erguidos muros visíveis e invisíveis com o intuito de ocultar a contradição e o conflito.

As cidades brasileiras mostram um processo de urbanização pautado na segregação e exclusão sócio-territorial, na fragmentação do espaço, bem como no contínuo crescimento e adensamento da periferia. As desigualdades sociais, expressas na concentração de renda, refletem a ausência de uma moradia digna para a população de menor poder aquisitivo. Esse modelo de produção e reprodução das cidades brasileiras faz com que um contingente expressivo da população resida em assentamentos precários marcados pela inadequação das residências e irregularidade no acesso a terra. O que compromete a qualidade de vida e contribui para a degradação ambiental e territorial.

A questão habitacional vem se constituindo em um problema significativo nas cidades, principalmente para aquelas que nos últimos anos alcançaram um notável crescimento demográfico. A formação de espaços segregados revela que as contradições urbanas colocaram na agenda do Estado a necessidade de uma intervenção por meio de uma política pública de habitação.

Entretanto, a trajetória dessa política, no país, não obteve êxito. E a precarização das condições sócio-econômicas da população de baixa renda, suscitou o surgimento de lutas e movimentos sociais através da organização popular, estruturados em torno da questão da moradia.

O debate sobre a moradia teve centralidade no cenário brasileiro a partir das manifestações e reivindicações dos movimentos sociais, que colocaram na pauta das discussões os problemas urbanos criados pelo desordenado processo de urbanização. Com isso, as habitações precárias, a falta de acesso à infra-estrutura básica, o emprego, o transporte e a saúde ganharam visibilidade no seio da sociedade.

A luta empreendida pelo Movimento Nacional de Luta pela Reforma Urbana mostrou a importância da organização popular quando o poder público, pela primeira vez na nossa história, elaborou um capítulo específico para a política urbana na Constituição Federal de 1988.

O direito a moradia não se resume em uma casa para morar, mas sim, que a população também deve contar com infra-estrutura básica (água, esgoto, coleta de lixo, escolas, bibliotecas, creches, área de lazer...) para ter habitação de qualidade, um dos componentes do padrão de vida “digno”.

Texto: Comissão de Comunicação
Foto: Manuel Dutra

4º Pré-enecom: "Movimento Cineclubista" - 13.07 / 18h

Francisco Weyl filmando no Marajó. Foto: Carlos Rômulo
Para compreender melhor o que é um cineclube e como este movimento atua, o quarto e último Pré-enecom promove um debate sobre Cineclubismo com os cineclubistas Artur Leandro (Presidente Regional do Conselho Nacional de Cineclubes - CNC), Miguel Haoni (APJCC/ Cine CCBEU) e o cineasta e poeta Franscisco Weyl (Resistência Marajoara). Assim como o cineclube, o local pretende ser um espaço de aglutinação, de resistência e de reflexão. O Pré será nesta quarta-feira, 13, às 18h, no prédio do Sindfisco (Castilhos França com Pres. Vargas).

Além de se reunir para discutir cinema e audiovisual, também é preciso debater a organização do movimento cineclubista enquanto movimento social, capaz de produzir fatos novos e interferir na comunidade. Já que o cineclube é um espaço de formação do senso crítico, também contribui para geração de um caldo de cultura capaz de promover mudanças culturais e sociais.

O cineclubista Felipe Macedo, ao conceituar o cineclubismo, declara: “o dicionário define cineclube como uma associação de apreciadores de cinema para fins de estudos e debates e para exibição de filmes selecionados, mas a imprensa e o senso comum amesquinham esse sentido e tratam o cineclubismo como uma atividade de mero lazer cultural”.

Ir ao cinema é uma atividade que não se encerra ao final do filme, mas começa com ele. E um cineclube é formado por pessoas que resolvem se juntar para apreciar e discutir cinema de forma coletiva. Cineclube é bem mais que uma estrutura física, é antes de tudo movimento, junção de ideias, pessoas.

Na ocasião, você poderá se inscrever no Enecom! Corre!

Você que já participou de um Pré - Enecom, poderá se inscrever no Enecom Pará 2011. E você que ainda não tem presença, corra! No último Pré - Enecom, as inscrições serão feitas de 20h às 21h. Se não puder se inscrever no Pré, haverá pontos de inscrição no Parque da Residência, sábado, de 9h às 12h e no CACO UFPA, diariamente,  9h às 12h  e de 14h às 18h. Confira os valores de cada inscrição abaixo: 

Tipo de Inscrição
Valor
Programação
R$ 50
Programação+Alojamento
R$ 80
Programação+Alimentação
R$ 100
Programação+Alimentação+Alojamento
R$ 120











Serviço
4º Pré-Enecom: “Movimento Cineclubista”
- Artur Leandro (Cineclube Nangetu)
- Francisco Weyl (Cineasta e Cineclubista)
- Miguel Haoni (APJCC)
Data: Quarta-feira, 13 de julho
Local: Sindfisco (Castilhos França com Pres. Vargas)
Horário: 18h


Siga @EnecomPA

Divulgado o Cartaz Oficial do Enecom Pará 2011 - Comunicação & Movimentos Sociais

Belo Monte e a Criminalização dos Movimentos Sociais

Xingu contra Belo Monte by Greenpeace Brasil
No Pará, um dos Estados mais ricos do Brasil, devido principalmente as riquezas naturais existentes em seu subsolo e sua vasta biodiversidade, 54% da população vive com média de renda inferior a um salário mínimo. Somos o retrato do paradoxo da atual política de desenvolvimento, em que a geração de recursos minerais e energéticos não traz compensações sociais e ambientais.

Os impactos socioambientais motivam discussões em torno do principal, e talvez, o mais polêmico empreendimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

A expansão do setor energético e os impactos sócio-ambientais e econômicos provenientes da instalação de barragens nos cursos de rios com potencial hidrelétrico fazem com que trabalhadores, pescadores, populações indígenas e moradores locais, prejudicados diretamente por esses impactos, se indignem diante da promessa enganosa de desenvolvimento para região e do anúncio da construção de mais barragens.
Surge então a necessidade de se organizarem para reivindicar seus direitos. Assim se constitui o Xingu Vivo Para Sempre e o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), que denuncia, entre outras injustiças, as expropriações das populações locais, o desprezo das instituições diante das destruições constatadas e o alto preço da energia para a população.

A mídia hegemônica busca criminalizar os movimentos sociais relacionando as condutas de protestos de trabalhadores com ações criminosas de grupos organizados que ameaçam a ordem pública. Para quê reprimir com violência física, se a produção de consenso é mais eficaz para a manutenção das relações de poder?

Não há revolta sem motivo e por isso, faz-se necessário entender que interesses há  por trás das ações que desvalorizam os protestos e as organizações de setores que representam os interesses da sociedade. Saber o que motiva a afirmação de que lutar por direitos em nossa sociedade seja “crime”.

Nota do Movimento Xingu Vivo - Comitê Metropolitano - sobre a licença de instalação da UHE Belo Monte


Há muito já se sabe que a Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte não tem viabilidade econômica, social, ambiental, cultural e mesmo política. Mais uma prova disso foi a carta enviada à presidente Dilma Rousseff no dia 19 de maio/2011, assinada por 20 das mais importantes associações cientificas brasileiras, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que após se debruçarem por um longo tempo sobre os estudos até aqui realizados, manifestaram preocupação e pediram a suspensão do processo de licenciamento da UHE Belo Monte.

Há muito também já se sabe que a UHE Belo Monte infringe frontalmente a constituição e a legislação ambiental do Brasil. É por isso que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nacional e seção Pará, e o Ministério Público Federal (MPF) estão pedindo que sejam suspensas as operações de Belo Monte enquanto as condicionantes não forem realmente cumpridas. Nesse sentido, no dia 11 de maio/2011 o MPF emitiu uma recomendação ao presidente do IBAMA, pedindo que este se abstenha de emitir a Licença de Instalação da UHE Belo Monte, enquanto as questões relativas às condicionantes da Licença Prévia 342/2010 não forem definitivamente resolvidas.

Nem mesmo o consórcio Norte Energia S.A. (NESA), montado pelo Governo Federal as vésperas do leilão, apresenta consistência. Esta semana foi amplamente divulgado que as empresas Galvão Engenharia, Serveng e Cetenco já fizeram pedido formal de desligamento do consórcio, a Contern fará o pedido nos próximos dias, e a J. Malucelli e Mendes Junior estão apenas a procura de alguém que compre os seus percentuais no negócio, seguindo os mesmos passos da Gaia Energia, que já vendeu a sua parte para a VALE. Antes mesmo de iniciar suas atividades a NESA já está caindo de podre.

A UHE Belo Monte é hoje uma bandeira política do Governo Federal, só isso explica a obsessão por esta obra, que vai repassar no mínimo 30 bilhões de reais para as empreiteiras, setor que, coincidentemente, ficou em 1º lugar no repasse de verbas para a campanha da presidente Dilma Rousseff.

Mostrando maios uma vez força e determinação, reuniram-se entre os dias 20 e 23 de maio/2011, na Aldeia Piaraçu, mais de 200 lideranças, representando 12 etnias, índios Kayapó, Juruna, Kaiabi, Xavante, Cinta larga, entre outros, além de lideranças dos movimentos sociais, que reafirmaram em alto e bom tom “NÃO À CONSTRUÇÃO DE BELO MONTE”. Reiterando a intenção de todos e todas em lutar até o ultimo suspiro contra esta usina.

É por tudo isso que repudiamos a emissão da Licença de Instalação ilegal de Belo Monte. Exigimos que esse projeto seja definitivamente encerrado. Alertamos ao governo da presidente Dilma Rousseff que ele será o único responsável pelas conseqüências que decorrerão de sua insistência nesse projeto. Conseqüências que poderão ser expressas, literalmente, em dor, lagrimas e sangue.

Pedimos o apoio de todos os brasileiros e brasileiras. Conclamamos as pessoas do mundo todo para que possamos estar juntos nesta decisiva batalha para barrar os mais pesados ataques que o capital já desferiu, até hoje, contra a floresta, os rios, os povos e a vida na Amazônia, no Brasil, e no Planeta Terra.

Somos fortes.

Estejam conosco, estamos com vocês.

A FLORESTA E A VIDA NOS CHAMAM!

TODOS E TODAS EM SUA DEFESA !

Projeto Político Enecom Pará 2011

Ainda não leu o projeto político do Enecom?

No projeto político, a Comissão Organizadora local do encontro, defende o tema escolhido, aponta eixos de discussão sobre ele, destaca os objetivos gerais e específicos do encontro, além de, esclarecer a metodologia de cada espaço.

No Enecom Pará, o tema escolhido foi Comunicação e Movimentos Sociais – Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem. E a justificativa para esse tema está no projeto. Ele não é construído só pela C.O. local, já que ele deve ser divulgado e pode sofrer alterações dos membros da executiva de todo o país e, então, aprovado em chat-reunião.

Para entender o debate da executiva sobre o tema e se aproximar mais do clima do Enecom Pará 2011, além de poder contribuir com a construção do mesmo, leia o projeto.